Antes de falar sobre o filme em questão, gostaria de contar como e em quais circunstâncias se deu a sessão que o assisti. Na semana em que minha mãe veio me visitar aqui em Olinda, fomos convidadas por Inaldete Pinheiro, uma das membras do Ori Cine clube, para participar da próxima sessão que estava para acontecer. Fiquei muitíssimo feliz com o convite principalmente ao saber que seria tão próximo da minha casa.
Lá fui eu feliz e pedalante montada em Caralâmpia [minha bicicleta] conhecer o grupo que se reúne para assistir filmes que trabalha exclusivamente a questão negra através do cinema. Enquanto grupo, puderam participar de um encontro de cineclubes pernambucanos em Triufo, onde a sua proposta foi muito bem aceita. "A nossa participação foi importante pois pudemos conhecer outros cineclubes, saber quem está atuando de forma efetiva ou não!" disse Sandro Joaquim Santos, um dos poucos homens participantes do grupo cuja a diretoria é feminina.
A ideia não é somente se reunir a fim de assistir filmes que fogem do contexto comercial do cinema. A reflexão sobre os longas assistidos é fundamental, proposta que todo e qualquer cine clube deveria ter, como o próprio nome deste sugere. O termo "Ori" em iorubá significa cabeça, conhecimento, direção caminho, sendo assim, pensar as problemáticas da população negra como um todo através do cinema torna-se um prazer.
Outra particularidade do cineclube Ori é a ausência de uma sede fixa para exibições dos filmes. "Nosso objetivo era ir às pessoas e não as pessoas virem até a gente, ou a um espaço que a gente tivesse" Disse Neli uma das diretoras do grupo. O espaço para exibição é cedido sempre por alguém transformando as reuniões num cinema em casa, uma estratégia para conseguir mais adesões de forma intimista.
Hoje, além das sessões em casa, o Ori também tem levado filmes para escolas, levando o debate do preconceito racial para estudantes de ensino fundamental e médio.
E foi regada a muita risada, pipoca e munguzá que assisti Adivinhe Quem Vem Para Jantar! Agora sim falemos do filme:
Gênero: Drama, Romance
Diretor: Stanley Krammer
Ano: 1967
Um filme de roteiro simples e diálogos muitíssimo bem elaborados fugindo totalmente aos clichês, comuns a temática trabalhada na película. Relacionamento interracial.
Nos 108 minutos de de tensão sobre a decisão dos pais da jovem: aprovarão ou não o casamento ignorando totalmente a diferença de pele entre eles. Adivinhe quem vem para jantar foi o último filme Spencer Tracy, e diga-se de passagem, encerrou sua carreira de forma brilhante. Seu personagem vive um conflito que desafia a sua própria moral, como bom pai ensinou a filha que não existe relação de superioridade e inferioridade entre negros e brancos, mas nunca imaginou que a sua filha fosse se apaixonar por um.
Destaque também para a atuação de Katharine Hepburn, ela que até hoje é reconhecida como símbolo feminista e uma das maiores estrelas do cinema de sempre. O papel lhe redeu o Oscar de melhor atriz [mais um dos quatro que recebeu, todos na mesma categoria].
A força motriz de toda a tensão é a euforia de Joey, que revela ser uma menina mimada no sentido em que está acostumada a ter tudo o que quer, na hora em que quer e quando quer. Mesmo diante da postura sensata de John, Joey é a grande responsável por incitar a reflexão e a possível quebra de preconceitos e esteriótipos estabelecidos.
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