Mais um que vale contar a experiência de como se deu a Sessão na qual
estive presente. Entre os dias 12 e 23
de outubro, acontece aqui em Recife o Festival de circo do Brasil. Em vários
pontos da cidade uma série de apresentações de várias companhias e grupos
circenses. Na sexta feira dia 21 de outubro [ontem] o cinema São Luiz teve a
honra de fazer a pré-estreia do filme O palhaço, com direção, produção e
roteiro do Selton Mello. Ah, quase me esqueço, ele também vive o palhaço
Benjamim, personagem principal do enredo.
Terminada a sessão, muitos aplausos e assobios, jovens desesperadas por
um mísero olhar de soslaio do astro. No entanto, nada. Dentro da programação do
festival constava uma mesa redonda composta pelo dito cujo, alguns
pesquisadores das artes circenses, palhaços aqui do Recife e parte do elenco.
Contudo, para infelicidade geral da nação, pelo avançar da hora a mesma não se
deu. Selton se pronunciou brevemente comentando apenas que essa teria sido uma
das sessões mais emocionantes das quais ele esteve presente. Lá do mesanino uma
voz de tenor grita: “Tem um ventilador sobrando lá em casa!!” fazendo
referência a obsessão do personagem pelo objeto.
A essa altura eu já estava lá em baixo, linda e negra, no pé da produção
pedindo licença para trocar umas poucas palavras com o cara que convergiu
tantas incumbências num filme tão emocionante. Numa mão o caderno com algumas poucas
perguntas sobre como foi o trabalho n’O palhaço. E meus amigos, foi
fantástico...
Jan – Então Selton, Aos 38 anos de idade você já atuou em vários
trabalhos, de cinema à TV, fora que é um dos atores que mais faz cinema no
país. Para você O palhaço foi um
desafio maior para quem? O Selton ator, o produtor, o diretor ou o roteirista?
Selton –
Jan – Fala um pouco do palhaço Benjamim. Você se inspirou em algum amigo
ou colega de trabalho, talvez até algum personargem pelo qual tu tenhas algum
carinho... Como foi que se deu a construção dele?
Selton –
Jan – E sobre as locações Selton, Por que você escolheu as plantações de
cana de açúcar aqui do nordeste? Imagino que seja do eixo Sergipe-Pernambuco,
até porque um de seus personagens é de Maceió.
Selton –
Jan – Agora sobre as exibições, Ter o filme participando de um festival
que fala sobre circo sem dúvida para a divulgação da película foi uma mão na
roda. Me fala da importância dessa pré-estréia aqui no Recife.
Selton –
Jan – Poxa Selton muito obrigada pela atenção que me foi dirigida e
parabéns pelo trabalho.
Selton –
É meus caros essa fui eu perdida entre tietes descabeladas tentando
arrancar uma informaçãozinha que fosse sobre o filme do
diretorBARRAprodutorBARRAroteiristaBARRAatorprincipal. Algumas lições para a
vida inteira: 1º Se você não tem o crachá de um grande veículo de comunicação
dificilmente a produção vai te dar alguma atenção. 2º em se tratando deste
humilde blog, para ter uma moralzinha é melhor ir providenciando um crachá pra
ontem. 3º Não desista! As portas jamais estarão escancaradas esperando que uma
atitude pró-ativa parta de você. É fazer da vida um sutiã e meter os peitos.
Título original: O palhaço
Direção: Selton Mello
Gênero: Drama, Comédia
Ano: 2011
Respeitável público, sejam bem vindos ao circo Esperança! O espetáculo
vai começar! Ao som da banda de dois homens eis que se apresentam os palhaços
Puro Sangue e Pangaré. No tímido picadeiro dos sapatos gigantes de cada um
emergem piadas e trocadilhos bobos sem qualquer malícia, arrancando mil
gargalhas do público resumido e humilde. Os artistas do Esperança compõem um
elenco decadente sem o glamour dos paetês e lantejoulas do Circo de Solei. O
ouro da casa? Duas figuras de Panqueique no rosto e nariz vermelho.
Benjamim, interpretado por Selton Mello, é o responsável por toda a trupe e que lembra o conto do palhaço triste, que a todos faz sorri, mas jamais vê o inverso acontecer. Como se todos, ao saber de quem se trata, esperassem sair de sua boca qualquer anedota sobre qualquer trivialidade. Resultado suas necessidades e tentativas de desabafo sempre são recebidas com gargalhadas desconexas de quem não entendeu que ele realmente falava sério.
Fora do picadeiro Benjamim é homem de grande pesar. As responsabilidades lhe valem toneladas, no entanto há força suficiente para atingir êxito e suprir as necessidades de todos, desde um simples remédio para a dor de cabeça até um sutiã assustadoramente grande. Provavelmente essa força de vontade seja justificada pela obsessão do personagem por ventiladores, o desejo insaciável de destacar-se no que faz impresso nos espirais formados nas espalas do soprador. Ou talvez o mais simples desejo de espalhar bons ventos para quem ele ama.
A fotografia quente e com sombras bem marcadas transforma cada take num retrato em movimento, fazendo com que cada personagem convide o espectador a um mergulho no seu íntimo. Palhaços e comediantes triste é algo quase impensável, inconcebível talvez. Debaixo da lona velha e amarelada, principalmente fora do picadeiro, o amor ao trabalho de cada um é a força motriz para seguir adiante.
Excetuando o palhaço pangaré, os demais personagens são apresentados muito timidamente, limitando-se a mostrar apenas uma particularidade atribuída a cada um e dessas miudezas ministradas em doses homeopáticas, a empatia é quase que imediata. As locações escolhidas também são um espetáculo a parte, as extensas plantações de cana de açúcar, os campos de pastagem abertos, as elevações topográficas, as estradas de terra batida... Não é difícil imaginar por onde eles possam ter passado.
Destaque para atuação do Paulo José, que encarna o pai de Benjamim. Um close em seu rosto, maquiado para o espetáculo ou não, é um mergulho profundo no interior de um homem maduro e cheio de sobriedade, o conselheiro e ombro amigo do filho que por vezes sente-se sobrecarregado e distante.
O palhaço não é mais uma comédia feijão com arroz tipicamente brasileira, também não é nenhum dramalhão que se assemelhe à qualquer novela das 18h ou das 20h. O filme emociona, e, não por acaso, também nos faz rir.
Programação Festival de Circo do Brasil aqui


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