segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Minha pequena


O meu olhar mira o céu rasgado em estrelas, meu coração se rasga em lágrimas, não tenho mais força para fazê-lo, sendo assim dói ainda mais, exatamente por queimar-me por dentro, por destruir as minhas estruturas emocionais construídas em terreno arenoso... pouco sólido.  Tenho saudades do tempo antes do tudo. Do tempo em que meu coração era só o nada, de quando ele batia apenas por meus sonhos. Hoje minha alma em retalhos, se rende ao vazio, ao silêncio, a ausência...


Não minha amada... Não se dê tanta importância, seja apenas o que lhe cabe ser. Teu perfume ainda invade minhas narinas, as tuas formas ainda preenchem as minhas mãos e os meus braços ainda sonham em ser donos de teus abraços. Vã esperança. Tua voz rouca e embriagada de viver, cansada dos cigarros que fumaste e doce dos beijos que um dia me foram endereçados, reverbera no meu subconsciente. Único lugar onde eu posso amar-te incondicionalmente. 

O tempo se esvai como água em meus dedos e lava as feridas que deixaste abertas, em sangue pulsante. Talvez eu precise levar alguns pontos, não sei dizer ao certo. Mas quem se importa? Você muito menos não é mesmo minha flor? Teu coração vagabundo já está em cada esquina da cidade, bebendo e sorrido e cantando e dançado e fintando os olhos de outros amores, estes, completamente cheios de nada. Teu caminhar me dá asco. És leviana! Vulgar! És nada!

Em meu peito reside um mar revolto em tempestades, amargo... pobrezinho... E vive hoje de migalhas de ti, como um pedinte calado que estende a mão carecendo colo e recebe apenas o teu olhar piedoso a dizer: "tenho não." Vira-se de costas e segue te caminho. Ele fica lá, em braços estendidos. 

Fecho os olhos e estás ali diante de mim. Sublime. Sorriso rasgado. Pele macia. Um brilho no olhar de lembrar mil constelações dedicadas a tua beleza. Eu lhe coroei minha rainha e a condenei ao meu amor. Pus uma flor em teu cabelo. Você sorriu e me olhou com ternura. Eu a envolvi. E num segundo estávamos no assoalho da sala nos amando. Como se fosse o fim de nossas vidas. Como se fosse para sempre. E por fim abro os olhos. Estou só, junto a mim uma garrafa de uísque 12 anos e o gato que acabara de chegar protestando de fome, exigindo carinho.

Não se dê tanta importância minha amada... tudo isso passa. Ou melhor, já passou. Não és mais minha pequena. Pergunto-me se um dia chegaste a ser. Pouco importa agora. Não és mais uma menina. És uma mulher vestida de despudor e desejo. Uma mancha em minha memória.

Autor conhecido

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