Fechei meus olhos, respirei profundamente tentando olhar para dentro de mim mesma. Um bom samba só se faz de coração partido, o poeta ama a dor, vive de sentimentos extremos. Sempre. Extrema felicidade, extrema tristeza, extremo amor, extrema decepção. Tudo assim queimando de uma vez só. Sem medo da intensidade que isso possa vir a ter, o importante é viver, e viver no sentido desesperado da coisa. Com uma urgência que lhes é particular. Pois no instante reside uma fugassidade tão perigosa, tão efêmera, que o mesmo corre o risco de não mais ter a oportunidade de deparar-se com tal experiência outra vez.
Resultado? Vivi-se. Ou até mesmo atropela-se o que deveria ser algo para ser degustado e não devorado. Confesso que por vezes sou movida por ansiedade, que pressa de viver um grande alívio no coração quis tudo assim: de uma só vez. "Calma..." me diz a vida com um leve sorriso no rosto e um brilho no olhar de iluminar qualquer coração contrito e perdido. Perdido em si mesmo. Em Seus sonhos e anseios. E nessa "perdidão" toda, bumbum de vaga lume vira lanterna para o caminho que se escolheu trilhar. Ah esse querer deseperadamente ser feliz... Ah essa urgência em viver de forma desenfreada... Que levamos nós de tudo isso? Muito pouco, ou quase nada eu diria.
É de respirar profunda e longamente. De sonhar com os tempos de outrora com saudade, e de ansiar o que há de vir, mas sem pressa. De dar corda ao relógio do mundo de forma prazerosa e quase despreocupada. De desviar o olhar e se dar conta do que é ser verdadeiramente amado. De amar. De antes de mais nada, suspirar, e, perceber que viver não é como riscar um palito de fósforo e se contorcer para manter a chama acesa o maior tempo que lhe couber. É se deleitar. Absorver o sumo. O melhor que podemos ter de tudo, em tudo.
Enfim, não há pressa.
1 comentários:
Não há pressa!
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